segunda-feira, 14 de março de 2011

Programa para reduzir acidentes no trânsito tem 72% dos recursos bloqueados

Contas Abertas
Neste ano foram aplicados R$ 13,2 milhões em projetos que visam aumentar a conscientização e promover a educação no trânsito.
Amanda Costa
Do Contas Abertas

     Os feriados nacionais costumam deixar um saldo elevado de acidentes nas rodovias estaduais e federais que, em geral, acontecem por conta da imprudência dos motoristas no trânsito, sobretudo, pelo consumo  de bebidas alcoólicas. Para tentar reduzir a mortalidade, a gravidade e o número de acidentes no país, o governo federal dispõe do Fundo Nacional de Segurança e Educação no Trânsito (Funset), cujo orçamento previsto para este ano chega a R$ 690,9 milhões. No entanto, R$ 494,2 milhões (72%) sequer chegarão a ser usados, já que estão na chamada reserva de contingência, que auxilia a formação do superávit primário do governo federal, necessário para o pagamento dos juros da dívida (veja tabela).
     O congelamento dos recursos não é fato novo. Desde 2003, pelo menos um terço da verba prevista no Funset foi contingenciada. Assim, dos R$ 3,1 bilhões previstos em orçamento neste período, pouco mais de R$ 1 bilhão esteve bloqueado, não podendo ser aplicado no fomento de projetos de redução de acidentes. Os recursos efetivamente desembolsados ao longo dos últimos oito anos somaram R$ 863,6 milhões, em valores corrigidos pela inflação.
     Neste ano, até a última semana, foram aplicados R$ 13,2 milhões em projetos que visam aumentar a conscientização e promover a educação no trânsito. A cifra corresponde a 7% dos R$ 196,7 milhões disponíveis para uso, após o bloqueio de 72% da verba autorizada.
     O sistema de informações do Sistema Nacional de Trânsito (STN) recebeu a maior parte dos recursos, quase R$ 8,4 milhões. A ideia é assegurar confiabilidade, segurança e a atualização dos sistemas de dados e informações de gestão com a manutenção e operação de registros, controle, monitoramento e acompanhamento das informações de competência do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran).
     Contudo, em ações como a de fomento a pesquisa e desenvolvimento na área de trânsito, não foram aplicados nenhum centavo dos R$ 4,7 milhões programados. A verba é destinada à promoção da segurança, gestão operacional e a fiscalização de trânsito por meio da melhoria de processos e dos instrumentos, equipamentos ou produtos utilizados na área de trânsito,
     No ano passado, o contingenciamento foi menor, o equivalente a R$ 81,8 milhões. Mas foram aplicados somente R$ 208,4 milhões dos R$ 574,6 milhões previstos em orçamento. Assim, a execução atingiu o patamar de somente 36%. As campanhas publicitárias, cujos objetivos são informar, esclarecer, orientar, mobilizar, prevenir ou alertar a população sobre comportamentos no trânsito, foram o carro-chefe, com gastos de R$ 126 milhões, ou 60% da totalidade dos recursos desembolsados.
     O Funset é formado a partir do percentual de 5% do valor das multas de trânsito que é depositado mensalmente na conta do fundo. A maior parte dos recursos é gerida pelo Denatran, do Ministério das Cidades.
     A assessoria de imprensa do órgão informou que o ministro do Ministério Cidades, Mário Negromonte, tem se enforçado no sentido de tentar descontingenciar os recursos. Mas, por outro lado, a assessoria garante que, mesmo após o bloqueio da verba, os projetos previstos no Funset não serão afetados, já que houve um redimensionamento para adequar as açõs ao orçamento disponível, após o contingenciamento.

Estradas mortais

FOLHA DE S.PAULO
O balanço trágico de acidentes nas estradas federais neste Carnaval vem confirmar uma alarmante tendência de crescimento no número de mortes nas rodovias do país nos últimos anos
    Houve aumento de 48% no total de vítimas em 2011, em relação ao mesmo feriado de 2010. Foram 213 mortes em estradas administradas pela União, contra 143 no mesmo período do ano anterior.
    De janeiro a dezembro de 2009, último ano com dados consolidados, 7.383 pessoas -20 por dia- perderam a vida nas rodovias federais. Um recorde nos últimos 12 anos. A tendência de alta se manteve no primeiro semestre de 2010, com 4.068 mortes só até junho.
    O crescimento econômico é apontado como uma das causas para o aumento no número de acidentes graves. A consequente ampliação da frota e mais motoristas novatos em circulação multiplicam oportunidades para colisões.
    A maior parte das mortes poderia ter sido evitada com melhor fiscalização das estradas, que coibisse o excesso de velocidade e a imprudência. O contrário aconteceu. Desde 2007, a fiscalização eletrônica das rodovias passou de precária a quase inexistente.
    Naquele ano, chegou ao fim o contrato do governo federal com as empresas que operavam pouco mais de 300 das chamadas ''lombadas eletrônicas'' (radares fixos), em seguida desativadas. Dados oficiais indicam redução média de 69% nos acidentes nos trechos onde, por sete anos, funcionou o escasso número de equipamentos.
    Para fiscalizar os quase 60 mil quilômetros de rodovias sob sua responsabilidade, a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva lançou, com atraso, licitação para instalar 2.696 aparelhos em todo o país. Mas disputas na Justiça adiaram a definição das empresas até o final de 2010. O governo promete iniciar a instalação dos radares nas próximas semanas e concluí-la em dois anos.
    A falta de investimentos na manutenção das estradas também contribui para aumentar a insegurança. O problema atinge até mesmo a parcela da malha federal concedida à iniciativa privada.
    Prazos de obras importantes para aumentar a segurança das vias são descumpridos pelas concessionárias, com a anuência do governo. Ao mesmo tempo, o pedágio nas estradas federais privatizadas sobe mais que a inflação.
    É dever do governo fazer com que as normas sejam cumpridas nas rodovias federais -tanto por administradores quanto por usuários. As graves consequências de sua ineficácia, afinal, são contabilizadas em mortes.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Nossa guerra particular

Jornal Brasil

Neste Carnaval, 213 pessoas morreram em 4.165 acidentes nas estradas federais do país, o maior número desde 2003. No ano passado, foram 143 mortes, 47,9% menos que agora. O assessor nacional de Comunicação da Polícia Rodoviária Federal (PRF), inspetor Alexandre Castilho, em entrevista ao Jornal do Brasil, criticou a falta de verbas para campanhas educativas, o tom brando dos anúncios do governo e a pouca atenção que as escolas dão à educação no trânsito.


Além disso, o policial rodoviário lembra que há um déficit de 4 mil homens na corporação a que pertence e disse que a falta de fiscalização nos municípios menores incentiva os maus hábitos dos motoristas.

– O orçamento de publicidade da PRF beira a jocosidade – lamentou o policial.

“Há um déficit de 4 mil homens na PRF” 

Por quê esse aumento no número de acidentes? 
– Em primeiro lugar, o número de veículos foi maior nas rodovias federais, proporcional ao aumento acidentes. As condições climáticas, sol no Sul e Nordeste, atraindo muita gente, e chuva fraca e constante no restante das regiões, o que não impediu viagens e deslocamentos, também contribuíram para o aumento, quando em 2010, choveu torrencialmente no Sudeste. Outro fator, que não é novidade, é a imprudência do motorista.

Quais os pontos mais perigosos? 

– Historicamente, a BR-381, que liga Belo Horizonte a Vitória, e a BR-101, no estado do Rio de Janeiro são os principais. Ambas têm longos trechos sinuosos, muito fluxo, e pista com mão e contramão sem canteiro divisório.

Por quê sexta-feira e sábado foram os dias com mais acidentes e mortes nas rodovias federais? 

– As saídas para os destinos são concentradas nessas datas. Na sexta, por exemplo, os motoristas viajam depois do trabalho, cansados e ansiosos para chegar. O que leva a ultrapassagens indevidas. No sábado, o número de mortos foi alto devido a um acidente em Santa Catarina, onde 27 pessoas morreram.

O efetivo é suficiente para patrulhar os 66 mil quilômetros da malha viária? 

– Énotórioqueháumdéficit de 4 mil homens na instituição. Por lei, o efetivo teria de ser de 13 mil pessoas. Isso atrapalha nosso trabalho. Somos uma polícia ostensiva, que tem de estar presente. Hoje, parte da fiscalização é biônica, feita por câmeras e radares.

Há planos para aumento desse efetivo? 

– Uma suspeita de fraude interrompeu um concurso feito em dezembro de 2009. A PRF rescindiu o contrato com a organizadora, que paralisou o certame através de liminares. São 750 vagas que dependem de decisão da Justiça Federal.

Nos últimos 11 anos, número de motos aumentou 136%

O ESTADO DE S. PAULO
O grande aumento da frota de veículos da cidade de São Paulo se deve mais ao crescimento explosivo da frota de motocicletas do que propriamente dos automóveis.
    Entre 2000 e 2010, enquanto a frota de automóveis aumentou 27%, a frota de motocicletas cresceu 136%. O elevado custo da tarifa, a demora das viagens, a superlotação dos ônibus e do Metrô e o crédito fácil explicam o crescimento.

    É certo que os índices de lentidão continuarão batendo recordes. Conciliar local de moradia e de trabalho, trocar prestadores de serviço distantes por mais próximos (desde o amigo barbeiro até o médico do convênio), comprar em locais próximos, e cada vez mais pela internet, tudo valerá para escapar dos congestionamentos. Muitas dessas pequenas viagens até passarão a ser feitas a pé ou até mesmo de bicicleta.

    Por fim, a qualidade de vida na cidade vai piorar, além da perda de tempo em si, consumindo o tempo de dedicação à família, ao lazer e mesmo à cultura. Esse quadro trará como consequência a perda de oportunidades, com os congestionamentos empurrando empresas para outras cidades menos hostis e desestimulando novos investimentos.

Frota de SP chega neste mês a 7 milhões

ESTADÃO - SP
A frota paulistana vai atingir neste mês a impressionante marca de 7 milhões de veículos
    Segundo dados do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), que recebe informações da Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo (Prodesp), janeiro já fechou com 6.973.958 de carros, motos, caminhões e ônibus. Os números de fevereiro ainda serão divulgados, mas, seguindo a evolução mensal dos emplacamentos, o último milhão está prestes a ser alcançado.

    O mais surpreendente é que, enquanto a cidade demorou oito anos para pular de 5 milhões para 6 milhões - de janeiro de 2000 a 2008 -, os 7 milhões serão batidos em apenas três anos. Com um detalhe: São Paulo tem 17 mil quilômetros de vias pavimentadas. Para-choque a para-choque, a frota atual formaria uma fila de 26 mil quilômetros de ruas e avenidas, quase duas vezes a distância de São Paulo até Cabul, no Afeganistão. Para efeito de comparação, na década de 1970 a capital registrava 965 mil veículos para número parecido de vias: 14 mil quilômetros.

    ''O aumento da frota registra a riqueza da cidade, mas também mostra uma situação burra, um grande erro'', alerta Aílton Brasiliense, presidente da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP) e ex-diretor do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). ''Com mais carro e mais trânsito, há um sobrecusto na tarifa do ônibus, há mais poluição, a velocidade média cai. Aí você precisa de mais caminhões para transportar as mercadorias. Vira um círculo vicioso.'' 

    A frota paulistana ainda infla em uma velocidade seis vezes superior ao crescimento da população. São Paulo tem agora 630 veículos para cada mil habitantes. O Japão tem 395 veículos/mil moradores, enquanto os Estados Unidos têm 478 e a Itália, 539. Ao longo do último ano, a cidade recebeu mais 27 mil veículos por mês - o aumento foi de 4% em relação a 2009, mas de mais de 45% desde que o rodízio municipal foi criado, em 1997. O maior crescimento ocorreu entre carros, motos e veículos utilitários. O número de ônibus permaneceu quase estável e o de caminhões caiu 3,2%, de acordo com o Detran.

    Acidentes. Um aspecto curioso é que o crescimento da frota paulistana não significou aumento de mortes no trânsito. A cidade de São Paulo vem registrando queda contínua nos últimos anos. Em 2009, ano do último levantamento da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), foi registrada na capital a menor taxa de morte dos últimos 22 anos: 1.382 casos, número 54% menor do que os 2.981 de 1987. 
    Na comparação com outros lugares do País, São Paulo surpreende ainda pela baixa proporção de mortes em relação à frota de carros. Segundo levantamento do Instituto de Pesquisa e Cultura Luiz Flávio Gomes, em 2008 o Maranhão liderava o ranking brasileiro de mortes por 100 mil veículos. Foram 197 vítimas para cada 100 mil carros. O Estado de São Paulo tinha o trânsito menos violento quando comparado à frota: 42 vítimas para cada 100 mil carros.

    Esses dados na capital são ainda menores. Em dezembro de 2009, São Paulo registrava 20,7 mortes para cada 100 mil veículos. O que não significa que o trânsito seja tranquilo. Por causa da queda do total de assassinatos, hoje há menos homicídios por arma de fogo do que mortes no trânsito da capital.

Documento de veículos terá dados de recall das montadoras

Band
Documentação informará quando houve convocação da montadora para reparos
    Entra em vigor na próxima quinta-feira a portaria 69/2010 do Ministério da Justiça em conjunto com o Departamento Nacional de Trânsito, que inclui dados de recall (chamados das montadoras para reparos de veículos que apresentem risco à saúde ou à segurança dos usuários) no documento do carro.
    Ou seja, se a montadora identificar problemas em um modelo de automóvel, convocar recall para reparo, e o proprietário não levar o veículo para o conserto em um prazo de um ano, essa informação passará a constar no Certificado de Registro e Licenciamento do Veículo.
    O objetivo da medida é aumentar o percentual de atendimentos de recall, já que atualmente, cerca de 40% dos proprietários de veículos ignoram o chamado. Além disso, a medida vai beneficiar também os compradores de carros usados, pois será possível saber, no ato da compra, se o automóvel em questão possui ou não reparo a ser realizado.
    Recalls
    O número de recalls aumentou 41% ao longo de 2010 na comparação com 2009 – num movimento mais acelerado do que a produção de carros, que cresceu 14% no período, com 3,64 milhões de unidades.
    Em todo o ano passado, mais de um milhão de automóveis e cerca de 400 mil motos foram chamados para conserto pelas montadoras.

Rodovias federais têm 213 mortes durante o carnaval

G1
No sábado (5) foram 58 mortes, segundo a Polícia Rodoviária Federal.No carnaval de 2010, houve 143 mortes em seis dias.
    A Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou nesta quinta-feira (10) que 213 pessoas morreram nas estradas federais do país durante o carnaval.  O número é superior ao do ano passado. Em 2010, houve 143 mortes durante o período do carnaval. Durante a Operação Carnaval, a PRF também registrou 4.165 acidentes. O número de mortes em relação ao ano passado aumentou 47,9%.

 Em cinco dias de operação, o total de mortes neste ano já superava o número registrado em seis dias de operação no carnaval 2010. Durante toda a operação do ano passado, que foi realizada entre a 0h de sexta-feira (12 de fevereiro) e a meia-noite de quarta-feira (17 de fevereiro), ocorreram 3.233 acidentes e 143 mortes.
    O inspetor Alvarez, coordenador geral de Operações da PRF, atribuiu o alto número de acidentes e mortes registrados nesse carnaval à falta de educação dos motoristas.
    ''O ponto principal é a educação. O cidadão saber usar com responsabilidade o seu meio de locomoção (...). Se o motorista não fizer sua parte, se ele não conduzir com responsabilidade, o número [de mortes] continuará a ser alto'', disse ele.
    Segundo o inspetor, o número de acidentes continuára a aumentar nos próximos anos. ''A tendência dos próximos anos é ter números mais significativos porque a frota continuará aumentando''.
    Alvarez reconheceu que a fiscalização deve ser melhorada. Segundo ele, apenas 1/5 dos municípios fazem parte do Sistema Nacional de Trânsito. ''Nós temos que ter o maior número possível de municípios no sistema, fiscalizando'', afirmou. Ele disse ainda que é necessário instalar mais radares nas rodovias.
    Somente na terça-feira, a PRF realizou 6.356 testes de alcoolemia – popularmente chamado de bafômetro –, sendo que em 204 deles o resultado foi positivo para o consumo de bebida alcoólica.
    Com isso, 90 pessoas foram presas por embriaguez. Ao todo, foram fiscalizados 29.857 pessoas e veículos ao longo de 66 mil quilômetros de rodovias federais que cortam o país.
    Durante a operação da terça-feira, a Polícia Rodoviária Federal prendeu 145 pessoas em flagrante por crimes diversos.
    Acidente no sábado
    O número de mortes no sábado é o maior de toda a operação. Isso porque, o boletim da PRF inclui as mortes ocorridas na BR-282, quando 26 pessoas que estavam em um ônibus que seguia de Santo Cristo (RS) para Marechal Rondon (PR) morreram após colidir em um caminhão que transportava madeiras. A 27ª vítima do acidente morreu no hospital na segunda-feira.